“A gorda”, Isabela Figueiredo

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“A gorda”, de Isabela Figueiredo (Todavia, 2018), é a história de Maria Luísa, uma moçambicana que, adolescente, vai estudar em Portugal, no ano da independência de seu país. Acima do peso, submete-se a humilhações de uma esbelta colega de classe para conquistar sua amizade e suporta ofensas como “baleia”, “orca”, “monstro” de outros colegas. Seus algozes são um coro anônimo, que mais tarde, sob outras máscaras, reproduzirão o bullying, influenciando o único namorado, David. Ele acaba rejeitando Luísa por um par mais de acordo com os padrões de beleza femininos vigentes. Depois de uma vida inteira solitária e da morte da mãe, Luísa se sujeita a uma operação de gastrectomia.
A autora, com sensibilidade, descreve com minúcia o drama das mulheres fora do padrão de corpos femininos considerados desejáveis pela sociedade patriarcal. A casa em que a protagonista morou com os pais é revisitada, cada parte dela dando título a uma fase de sua vida. A correspondência de cada cômodo da casa com uma etapa da vida é uma ênfase de como um aspecto de cunho privado, como o corpo da mulher, pode ser estabelecido pela voz pública que dita o que é adequado ou não através da regulação estética e da determinação da maternidade. .
Luísa não atinge também este outro objetivo do padrão do corpo feminino, a maternidade. Apesar do desejo de ser mãe num relacionamento extraordinário, ela aborta reiteradamente. Sua narrativa fala do fracasso de cumprir as exigências do ser feminino tradicional, ao mesmo tempo em que, em suas margens, sugere o prazer rebelde, não só de alimentar-se como do sexo que pode ser desfrutado quando as mulheres veem-se livres de estereotipos.
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no more tears

I

é o verão da desesperança

jornais estouram sacos de maldades
aqui acolá balões pipocas
compra-se a água que bebe
ar inóspito na china

ficar em cima do muro

mais um brinde :
não há justiça

utopias
são surtos entre estados em guerra

o heroi descobre em exílio

 

II

não levei flores
quando te levaram

senti o perfume
em cada pétala
colei uma sílaba

deixei as flores como estavam

ficou mais leve
carregar o vazio
nos  braços

 

III

condenada pelo sol
a ficar sob o  jugo

prefere a sombra
sombras, não trevas

guarda no bolso
a sombrinha de papel

arrependimento?
o sol no labirinto cega

perder-se é achar
a chave da alegria

 

IV

prefere farrapos
à alternativa correta
xadrezinho na estampa
cerejas na xícara
medo de barata universal

o  anjo de uma asa só
antes só
agora é sol

V

flores, nem morta
só as que não se cheiram

no jardim quioto
é pau é pedra

 

VI

não abra a porta
se tudo que quer
é morder os lábios
não abra a porta
se o que deseja
é estufar o estômago
esta voz arroto
olhos grandes demais
orelhas caem
não abra a porta
se tudo que  quer
é calar a boca
de menina
de mulher
tua história
é conto de fada

 

VII

sejam feias
as palavras

bonita
é mulher que luta

ergue o rosto
ao catar papel

ocupa ruas e canta
a  chama é o fogo da revolução

VIII

Pra que servem as lágrimas?
Não apagam o incêndio
Bombas jogadas todos os dias
Não há como subir
Em.ombros de gigantes
O coração queima
Um rio em lágrimas
Não é o bastante
Quantos cantos
Vamos perder ?
Se é o fogo purificador
Avancemos
Corações ardentes
Sobre a baía em lágrimas

BICICLETAS CAIÇARAS NA ARTBICIMOB

 

A exposição “Bicicletas Caiçaras” está  aberta na Bicicletaria Cultural (Rua Presidente Faria, 226), até o dia 06 de outubro, dentro da programação do 10o. Artbicimob. A exposição, com 20 poemas de Marilia Kubota e 30 fotos de Lauro Borges, tem como tema bicicletas e ciclistas da cidade de Paranaguá. Há um ano, a exposição foi apresentada na Casa de Cultura Monsenhor Celso, em Paranaguá, como produto de projeto aprovado no edital de incentivo cultural da cidade. 

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Porque hoje é sábado e amanhã é domingo

Por que as sacolas cheias. Por que copos entornam. Por que rosários entre dedos. Por que a dieta começa segunda. Por que se torra ao sol. Por que água demais nos vasos. Por que nome de gente em cachorro, gato, canário e tartaruga. Por que a camisinha estoura. Por que a cantada é brega. Por que se lavam carros e quintais. Por que a tecla é mais vagarosa que o gênio. Por que a corda se ata.

Porque hoje é sábado e amanhã é domingo.